quinta-feira, 25 de outubro de 2007

DÚVIDAS, MÁXIMAS E REFLEXÕES DE SARJA AKHMANI, REPÓRTER IRANIANO II

*Da gratidão

A camelo dado não se olha a prótese.


*Da traição amorosa

Faz sempre as enxadas com a mulher que te trocou por outro. Relativiza a tua dor e alegra-te com a felicidade deles. Que diabo, temos que ser uns para os outros! Portanto, continua com a tua vida e deixa para trás o ressentimento.

P. S. Uma vez feitas as enxadas com ela, pensa que a cabeça dele é um mundo que merece ser escavado.


*Da incontinência

Sofrer de incontinência urinária será o mesmo que fazer a continência a um urinol?


*Da discriminação

Confesso que fico em estado de choque tecnológico com a discriminação de que têm sido alvo os africanos, os ciganos, os palestinianos, os judeus, os homossexuais, e as lésbicas. Combater os preconceitos contra as minorias não é só um imperativo ético nacional, mas também um ditame estético artur bual.

Acresce a tudo isto uma nova forma de racismo que tem vindo ultimamente a assumir proporções gravíssimas, a saber: a fortíssima discriminação de que têm sido vítimas as formigas rabequistas.

De rabeca aos ombros e bigodes lacrimejantes, aí estão elas, magras de dor e aos tombos do desgosto, ignoradas das grandes orquestras da Europa. Em noites de lua cheia, aos bandos e entre frestas e frinchas e prantos, choramingam as suas patitas nas batutas das patitas de maestros encrespados de preconceitos anti-rabeca.


A desoras da vida e da engenharia de Bach, entregam-se umas quantas ao prazer ilusório e traiçoeiro do álcool, enquanto outras tantas se deixam beber pelo real e efectivo prazer do álcool.


Arlequins na tristeza circense da sua pequenez, estes seres diminutos são hoje em dia autênticos anjos de abdicação insecticidal. Ao cabo de muita angústia e ostracismo acabam sempre por sucumbir, inevitáveis e mortas, nas ruas sem música das grandes cidades europeias, sob o silêncio das botas e dos pneus da discriminação racial.


Declaro iranianamente a minha impotência perante tamanha injustiça social. Vítimas de uma sociedade pela qual não são minimamente responsáveis, as formigas rabequistas são, afinal de contas, minúsculas barcaças carregadas de uma dureza rude e preta de vida que poucos conseguem imaginar. Europeus, despertai! As formigas rabequistas são os índios da vossa América!



Sarja Akhmani, repórter iraniano

3 comentários:

Naide Cai de Cu disse...

quem nos manda a nós, rabequeiros, tocar violão, ou mesmo marimba ou corno inglês

Conde Barão da Falagueira disse...

Em estado de choque tecnológico fico eu depois desta barrigada de riso. Senhor Sarja assim é que! ficva lhe bem defender os direitos das fromigas rabequistas e dos demais catequistas!

Conde Barão da Falagueira

Sérgio A. Correia disse...

Caro Senhor Barão Conde Barão:

Fique a saber que no Irão catequistas são as abelhas, hospedeiras as baratas e enfermeiras as aranhas.

Sarja Akhmani, repórter iraniano